14 de mar de 2016

"Moralistas ou Otários"

É um saco conviver com moralistas e otários e com essas parafernalhas (redes sociais) que nos tornam manequins de nós mesmos. Quem recita é a poeta Daniela Galdino do vulcão da Bahia, Itabuna, interpretando Graça Nascimento, poeta do interior de Canhotinho-PE.





12 de jan de 2016

12/dezembro/2015



Ele me vem mais uma vez... eu no meu corpo de pedra, a minha cadela cansou de brincar e agora dorme nos meus pés. Vou tentar remediar, me pergunto porque esse dever sobra sempre para mim. Hoje o dia é de alegria, ele recebe e vem me ter. Ele deseja que eu diga, não digo. "deixa ela"... ele sente com medo (alguém lhe diz). Vou lá, preciso abraçar o rapaz. 



4 de nov de 2014

A roubada do rufião





Crônica por Belisa Parente


Cuidado, meninas e senhoras. Talvez ele já tenha passado da crise dos 30 ou tenha apenas 26 anos de idade. Sorrateiro, entra no seu cotidiano e vai se encostando. Talvez ele insista em ter um filho com você, ou solte em tom de brincadeira, se colar colou. Use camisinha e tome pílula por via das dúvidas, ele vai te seduzir e fazer do jeito que ele quiser. A conta vai sobrar para você, inclusive se você, por circunstâncias ou aquém das teorias da vida, decidir fazer um aborto.

Há muitos homens oportunistas no nosso escasso mercado. E mulheres sedentas de amor como eu e você. Em um estalo as suas energias estarão concentradas nele, especialmente se você for independente e morar sozinha - o prato cheio é degustado com maestria. O relacionamento nunca finda porque ela é filha de uma rede de supermercados, ou é médica, concursada, pode ser também uma simples jornalista, professora, empregada doméstica, só não pode ser desempregada.

O mundo é um grande hotel e para tudo existe um preço. O corpo paga a diária da alma, pagamos para conseguir dar vazão ao que existe dentro de nós, para nos desenvolver, alimentar o intelecto, ter um mínimo de conforto e lazer. Observo esse parasitismo preguiçoso, esse sistema maquinal, insectum brutal. Mas caso a senhora tenha dinheiro de sobra e queira pagar, tudo ótimo, divirta-se, mas não se engane, ou se engane, como queira...

Ter um homem disponível para muitas também é sinônimo de segurança e poder. Falar “meu marido”, oh!, o ápice do prazer. Você pode até achar que dessa vez é para sempre, mas eles sempre têm outras idiotas engatilhadas, caso você comece a pegar no pé ou a grana aperte. Há quem diga com ar de gênio aguardar uma chance.... ou chore acerolas e se maldiga. Antes as sacanagens, o que mais praticamos é a caridade enquanto eles flanam.


Antigamente os homens diziam soberbos: “Quem paga, manda!”. E as mulheres se tornaram ótimas donas de casas, esposas, mães, educadoras. Hoje, além de arcar com as religiosas contas, ainda somos induzidas à submissão. É preciso separar o sacrifício da mística, o falso do verdadeiro, o arrivismo da ajuda mútua. Estou cansada de crueldades, do oportunismo péssimo de favor, da violência sentimental, do engodo fantasiado de amor. 

11 de abr de 2013

O Poeta



* Hermann Hesse


Conta-se que o poeta chinês Han Fook, em sua juventude, era animado por um maravilhoso desejo de tudo aprender e de se aperfeiçoar em tudo que dissesse respeito à arte da poesia. Naquele tempo, quando ainda habitava a sua terra no Rio Amarelo, por vontade própria, e com a ajuda de seus pais, que o amavam ternamente, apaixonara-se por uma moça de boa família, e o casamento deveria ser marcado brevemente para um dia de bom augúrio. Han Fook tinha, então, mais ou menos vinte anos e era um belo jovenzinho, modesto e de maneiras agradáveis, instruído nas ciências e, apesar de sua juventude, conhecido entre os literatos de sua terra graças a algumas primorosas poesias. Sem ser exatamente rico, deveria receber urna fortuna razoável, que ainda seria aumentada com o dote de sua noiva; e, como essa noiva além de tudo era muito bonita e virtuosa, nada mais parecia faltar à felicidade dos jovens. Entretanto ele não era completamente feliz, pois seu coração estava cheio de desejo de tornar-se um poeta perfeito.

Numa tarde em que se celebrava no rio, uma festa de lâmpadas, Han Fook ia caminhando pela margem oposta. Encostou-se ao tronco de uma árvore que se inclinava sobre a água, e viu no espelho do rio mil luzes correndo e brilhando, e nos botes e jangadas homens, mulheres e mocinhas que se cumprimentavam e resplandeciam como lindas flores, em roupagens de festa, ouviu o suave murmúrio da água iluminada, o canto das cantoras, a vibração das cítaras e os sons doces dos flautistas, e acima de tudo viu pairar a noite azulada como a abóbada de um templo. O coração do jovenzinho apertou-se ao contemplar como espectador solitário, conforme seu temperamento, toda aquela beleza. Desejava tanto ir para lá e estar ali no meio, gozar a festa junto de sua noiva e de seus amigos; entretanto, preferiu mais ainda assistir àquilo tudo como um espectador sensível e tornar a mostrá-lo numa poesia perfeita: o azulado da noite e o jogo de luzes na água, assim como a alegria dos convidados e a melancolia do espectador silencioso, que se apoia ao tronco da árvore sobre a margem. Sentiu que em meio a todas as festas e alegrias desta Terra, nunca seu coração poderia ficar tranqüilo e sereno, que ele mesmo estaria sempre no meio da vida como um solitário e de certo modo como um espectador e um estranho, e sentiu que, entre tantas outras, apenas sua alma fora feita de tal maneira que precisava sentir ao mesmo tempo a beleza da Terra e a secreta nostalgia do desconhecido. Com isso ficou triste e ansiou por essas coisas, e terminou pensando que, para ele, uma verdadeira felicidade e uma profunda satisfação só poderiam existir, se algum dia lhe acontecesse refletir o mundo tão perfeitamente na poesia, que, nessa imagem, ele possuísse o próprio mundo, purificado e eternizado.

Han Fook mal sabia se ainda estava acordado ou se adormecera, quando percebeu um leve ruído e, junto ao tronco da árvore; viu parado um desconhecido, um velho num hábito roxo e com ar venerável. Endireitou-se e cumprimentou-o com a saudação que se deve aos velhos e aos nobres, o desconhecido porém sorriu e disse-lhe alguns versos, os quais continham tudo que o rapaz há pouco sentira, tão perfeitos e belos e expressos segundo as regras dos grandes poetas que o coração do jovenzinho parou de espanto.

- Oh, quem és tu - exclamou, inclinando-se profundamente - que podes ver em minh'alma e dizes versos mais belos do que jamais ouvi de todos os meus mestres?

O desconhecido sorriu novamente, com o sorriso dos Perfeitos e disse: - Se quiseres tornar-te um poeta, então vem até mim. Encontrarás minha cabana perto da nascente do grande
rio, nas montanhas do noroeste. Meu nome é Mestre da Palavra Perfeita.

Dito isto o velho penetrou nas estreitas sombras da árvore e desapareceu em seguida, e Han Fook que debalde o procurou sem achar vestígio sequer acreditou então firmemente que tudo fora um sonho, de cansaço. Apressou-se na direção dos botes e presenciou a festa; mas, entre conversas e sons de flauta, ouvia continuamente a voz misteriosa do desconhecido, e sua alma parecia ter partido com ele, pois sentou-se distante e com olhos sonhadores entre a gente feliz, que zombava dele, supondo-o apaixonado.

Poucos dias depois, o pai de Han Fook quis encarregar os amigos e parentes de marcarem o dia do enlace. A isso opôs- se o noivo dizendo: - Desculpa-me se pareço ir contra as regras da obediência que o filho deve ao pai. Mas sabes quão grande é meu desejo de distinguir-me na arte dos poetas, e se alguns de meus amigos elogiam minhas poesias, apesar disso também sei que ainda sou um iniciante e ainda estou nos primeiros degraus do caminho. Por isso eu te peço, deixa- me mais algum tempo ficar na solidão e entregar-me aos meus estudos, pois parece-me que se tiver no momento uma mulher e uma casa para dirigir, essas coisas me impedirão àquelas. Agora, porém, ainda sou jovem e sem outros deveres e gostaria de viver algum tempo apenas para a minha arte, da qual espero alegria e glória. A conversa espantou o
pai, que disse: - Essa arte deve ser para ti o mais importante de tudo, já que por causa dela queres adiar até mesmo teu casamento. Ou se alguma coisa aconteceu entre ti e tua noiva, então dize-me, para que eu possa ajudar a reconciliá-la, ou conseguir uma outra para ti.

O filho porém jurou que não amava sua noiva menos que ontem e sempre, e que a sombra de nenhuma disputa caíra entre eles. E em seguida contou a seu pai que num sonho no dia da Festa das Lâmpadas um mestre se anunciara, e ele desejava tornar-se seu discípulo, mais ardentemente que a toda felicidade do mundo.

- Bem - falou o pai - então dou-te um ano. Nesse tempo podes seguir teu sonho; que talvez te tenha sido enviado por um Deus.

- Talvez também sejam precisos dois anos - disse Han Fook hesitante - quem pode saber?

Assim o pai deixou-o ir e ficou triste; o rapazinho escreveu uma carta para a noiva, despediu-se e partiu.

Depois de ter andado muito tempo, alcançou a nascente do rio e encontrou, dentro de grande solidão, uma cabana de bambu, e defronte à cabana, sentado sobre uma esteira trançada, o velho que vira no rio, perto do tronco da árvore. Estava sentado e tocava um alaúde, e quando viu o hóspede se aproximar temerosamente, não se levantou, nem o saudou; sorriu apenas e deixou os dedos macios correrem sobre as cordas, e uma música encantadora derramou-se como uma nuvem de prata pelo vale, fazendo o rapazinho parar maravilhado e num doce espanto esquecer-se de tudo, até que o Mestre da Palavra Perfeita pôs de lado seu pequeno alaúde e entrou na cabana. Ali o seguiu Han Fook com temor e deixou-se ficar a seu lado como seu servidor e discípulo.

Com o passar de um mês ele aprendeu a desdenhar todas as canções que compusera e apagou-as de sua memória. E novamente depois de meses apagou também da memória as canções que aprendera em casa com os professores. O mestre quase não lhe falava, ensinou-lhe silenciosamente a arte do alaúde, até que o espírito do aluno estivesse todo penetrado de música. Uma vez Han Fook compôs uma pequena poesia, onde descreveu o vôo de dois pássaros no céu primaveril, e ela lhe agradou bastante. Não ousou mostrá-la ao mestre, mas uma tarde cantou-a, afastado da cabana, e o mestre ouviu-a bem. Entretanto não disse uma palavra. Apenas tocou baixinho o seu alaúde, e imediatamente o ar tornou-se mais fresco e o crepúsculo acelerou-se, um vento forte se ergueu, apesar de ser pleno verão, e no céu já escuro duas garças voaram, num poderoso desejo de emigração; tudo isso era tão mais belo e perfeito que os versos do aluno, que este se entristeceu e calou- se, sentindo-se incapacitado. E assim procedeu o velho todas as vezes, e quando um ano havia passado, Han Fook aprendera a tocar o alaúde quase perfeitamente, mas a arte da poesia parecia-lhe cada vez mais difícil e inatingível.

Quando dois anos se passaram, o jovenzinho sentiu uma forte saudade dos seus, da sua terra e da sua noiva, e pediu ao mestre para deixá-lo viajar.

O mestre sorriu e balançou a cabeça. - És livre - disse - e podes ir aonde quiseres. Podes voltar, podes ficar longe, como preferires.

Com isso o aluno partiu de viagem e andou sem descanso, até que uma manhã, na alvorada, parou na margem do rio de sua terra, e olhou, sobre a ponte enevoada, para a sua cidade natal. Penetrou furtivamente no jardim de seu pai e ouviu pela janela do quarto a respiração do pai, que ainda dormia, e insinuou-se no pomar da casa de sua noiva, e viu, de cima de uma pereira, onde trepou, sua noiva em pé no quarto, penteando os cabelos. E enquanto comparava tudo isso, tal como o via naquele momento, ao retrato que compusera na sua saudade, tornou-se-lhe claro que seria mesmo um poeta, e viu que nos sonhos dos poetas mora uma beleza e um encanto, que debalde se procura nas coisas da realidade. E desceu da árvore e fugiu do jardim, e pela ponte foi para longe de sua cidade natal, retornando ao alto vale, na montanha. Ali estava sentado, como da primeira vez, o velho mestre, diante da porta da cabana, sobre a esteira modesta, a tocava levemente o alaúde, e em lugar de saudação disse dois versos sobre as alegrias da arte, com tanta profundidade e euforia que os olhos do jovem se encheram de lágrimas.

Han Fook tornou a ficar com o Mestre da Palavra Perfeita, que, agora que ele já dominava o alaúde, passou a ensinar-lhe a citara, fazendo os meses desaparecerem como neve no vento oeste. Duas vezes ainda aconteceu de a saudade vencê-lo. Numa das vezes, à noite, fugiu dali as escondidas mas ainda nem tinha alcançado a última curva do vale, quando o vento noturno soprou sobre as cordas da citara, pendurada na porta da cabana, e os sons seguiram atrás dele, e chamaram-no de volta, de maneira que não pôde resistir. Da outra vez, porém, ele sonhou que plantava uma jovem árvore em seu jardim, e sua mulher estava ao seu lado, e seus filhos regavam a árvore com vinho e leite. Quando acordou, a lua brilhava no quarto, e ele ergueu-se perturbado e viu junto, o mestre ressonar e sua barba grisalha estremecer de leve; então apossou-se dele um ódio amargo contra esse homem que, conforme lhe parecia, perturbou sua vida e atrapalhou seu futuro. Quis atirar- se sobre ele e assassiná-lo, ai o ancião levantou os olhos e começou a rir com uma brandura fina, delicada que desarmou o aluno.

- Lembra-te, Han Pook - disse o velho, baixinho - tu és livre de fazer o que preferires. Podes ir para tua terra e plantar árvores, podes-me odiar e me assassinar, isso tem pouca importância.

- Ah, como poderia eu te odiar - exclamou o poeta numa profunda agitação. - É como se quisesse odiar o próprio céu.

E ficou e aprendeu a tocar citara e depois a flauta, e mais tarde, sob instrução do mestre, começou a fazer poesia, e aprendeu lentamente aquela arte secreta, que aparentemente só fala de coisas simples e despretensiosas, mas com o fim de revolver a alma dos que a escutam como o vento no espelho da água. Descreveu a chegada do sol, como ele hesita na orla da montanha, e o silencioso deslizar dos peixes, quando fogem como sombras sob a água, ou o balanço de um salgueiro novo no vento da primavera, e quando a gente ouve aquilo, já não era apenas o sol e o jogo dos peixes e o murmúrio do salgueiro, mas parecia que por um instante, o céu e o mundo de cada vez, combinavam-se numa música perfeita, e cada um ao escutar pensava ao mesmo tempo, com alegria ou dor, naquilo que amava ou odiava: o garoto, na brincadeira; o jovem, na amada; o velho, na morte.

Han Fook não sabia mais quanto tempo passara com o mestre, na nascente do grande rio; com freqüência parecia-lhe ter chegado ontem à tarde naquele vale e ter sido recebido pela música do velho; com freqüência parecia-lhe também terem caído atrás de si todas as gerações humanas e todos os tempos se terem tornado ilusórios.

Certa manhã acordou sozinho na cabana, e por onde procurou e chamou, o mestre desaparecera. No meio da noite o outono de repente pareceu ter chegado, um vento áspero sacudia a velha cabana, e sobre a crista da montanha voavam grandes bandos de aves de arribação, embora ainda não fosse seu tempo.

Assim Han Fook levou consigo o pequeno alaúde e partiu para a sua terra natal, e por onde encontrava pessoas, elas saudavam-no com o cumprimento que se deve aos velhos e aos nobres, e quando chegou a sua cidade, seu pai e sua noiva e seus parentes estavam mortos, e outras pessoas moravam nas casas deles. A tarde porém a Festa das Lâmpadas foi comemorada no rio e o poeta Han Fook parou do outro lado, na margem escura, apoiado sobre o tronco de uma velha árvore, e quando começou a tocar seu pequeno alaúde, as mulheres suspiraram e encantadas e angustiadas espiaram a noite, e os jovens rapazes chamaram pelo tocador de alaúde, que não puderam encontrar em nenhuma parte, e gritaram alto que nunca nenhum deles ouvira tais sons de um alaúde. Han Fook porém sorria. Mirou a água, onde nadava a imagem das mil lâmpadas; e como já não sabia mais distinguir a imagem da realidade, não encontrou em sua alma nenhuma diferença entre essa festa e aquela primeira, quando ainda jovem ele ali parou e escutou a palavra do mestre desconhecido.


*O Poeta, Hermann Hesse, extraído de Contos, 4ª Edição, Civilização Brasileira, Coleção Biblioteca do Leitor Moderno, Tradução de Angelina Peralva. 

18 de fev de 2013

Halo




“Faça-se a luz!”, disse Deus ao meio dia. E um halo solar desencadeou alterações no meu hipotálamo... Afastou a sombra perigosa da ilusão. Nem tudo tão, bom, senão, então, Javé-Yiré. 

21 de dez de 2012

Rádio Rádio Ronca Ronca VOLTOU =)

Acabei de descobrir que o Ronca Ronca está de volta. Que felicidade! Eu posso te ouvir e estou bem agora! Está me vendo balançar a cabeça? Que saudade eu estava sentindo...Estou ouvindo, neste momento, o segundo áudio da volta... perdi os ao vivos. O querido Maurício Valadares começa com Antibalas, banda dos EUA que tive oportunidade de ver no Abril Pro Rock 2012. Todas as terças, na Oi FM WEB, das 22h à 0h. Confere produção? UHu! Êta nós! Rádio Rádio Web Zen Zun! 

Áudio #2: http://oifm.oi.com.br/2012/12/o-segundo-ronca-ronca-traz-musica-e-futebol/?c=Games

"Neste programa, Maurício Valladares recebe Toni Platão e Marcelo Caipirinha para um bate-papo regado à música. Leonard Cohen, Seun Kuti, Jeff Buckley e Joni Mitchell marcaram presença no jumboteco de MauVall dessa semana, na Oi FM".

(O post abaixo foi publicado no site do Ronca Ronca (www.roncaronca.com.br) no dia 22 de dezembro de 2011. Só para ficar registrado neste meu diário eletrônico)

"Chegou a hora do pau comer, do pau comer, do pau comer"

a parte funda do maNgue…
Filed under: fotografia,programa,roNca300 


belisa, de recife, foi uma das que receberam a camiseta na promo para ouvintes fora do rio.
e, claro, ela mete a mão na parte funda da cumbuca…

“Ed Motta pensa que babado é bico. Desconhece a inteligência com sabedoria de vida. Quer luz? Sobe num poste, doido! Sintonizei o Ronca Ronca nos 40 minutos do último tempo e me deparei com um pequeno tolo metido a engraçado – isso para mim não é novidade. Mas para fazer humor é preciso ter graça/espirituosidade, até quando ele é negro, depreciativo, sarcástico. Sou Recifense e tenho raízes no interior do Estado, na terra de Luiz Gonzaga; mas nem fiquei ofendida com a “galhofa”, como definiu a conterrânea. Manguei tanto dele, é muito ego e cacoete numa pessoa só, além da falta de direcionamento crítico. É muito fácil juntar tudo no mesmo balaio e julgar, inclusive nós, meros ouvintes. 

Ed Motta confirmou o que eu já dizia dele, o cara é um tabacudo. Um prego; como dizemos lá no Crato-CE. Um venta molhada, como bem definimos no Exu.  uhuhuhuhuh Ô, bichinho. Ó, Mottinha da Silva, você deveria passar uma semaninha lá no Exu para aprender a ser espontaneamente crítico e pilhérico. Também entendo que você, Maurício, enquanto mediador e “amiguinho” do Eduardo, jamais iria cortar ele no ar ou tomar partido. Tudo bem…. deixa isso com a onça aqui, afinal, entre tantos comentários, a resposta no ar foi dada por mim. Já ouvi tanto um tal de “cortem a cabeça dela!”. Tô nem vendo! Continuo vestindo a camisa do Ronca e nunca gasto as minhas “altas e nobres e lúcidas” energias polemizando com um espírito mesquinho, frívolo, grotesco. E, na moral, quem é Ed Motta no jogo do bicho?

Legenda fotos: Maurício, essa é a Lagoa do Araçá, onde nasci e me criei. A lagoa foi revitalizada há 18 anos, cresci nesse mangue. Taí o chié das músicas de Chico Science. Ed Motta deveria ouvir mais os pernambucanos para aprender a fazer críticas e músicas.”
Beijo
Belisa


D+D+D+!
cacilds, o maNto circulando freneticamente!!!
acho que, agora, encerramos o caso de terça passada, né?
o ótimo do fato é que trocamos figurinhas, mixamos idéias e seguimos adiante! sempre!
( :


6 de nov de 2012

24 de ago de 2012

Um sonho


(Tela “Sonhos do carnaval”, do carioca Di Cavalcanti).


Na messe, que enlourece, estremece a quermesse...
O sol, o celestial girassol, esmorece...
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crótalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...

Flor! enquanto na messe estremece a quermesse
E o sol, o celestial girassol, esmorece,
Deixemos estes sons tão serenos e amenos,
Fujamos, Flor! à flor destes floridos fenos...

Soam vesperais as Vêsperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...

Como aqui se está bem! Além freme a quermesse...
– Não sentes um gemer dolente que esmorece?
São os amantes delirantes que em amenos
Beijos se beijam, Flor! à flor dos frescos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...

Esmaece na messe o rumor da quermesse...
– Não ouves este ai que esmaece e esmorece?
É um noivo a quem fugiu a Flor de olhos amenos,
E chora a sua morta, absorto, a flor dos fenos...

Soam vesperais as Vêsperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...

Penumbra de veludo. Esmorece a quermesse...
Sob o meu braço lasso o meu Lírio esmorece...
Beijo-lhe os boreais belos lábios amenos,
Beijo que freme e foge à flor dos flóreos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crótalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...

Teus lábios de cinábrio, entreabre-os! Da quermesse
O rumor amolece, esmaece, esmorece...
Dá-me que eu beije os teus morenos e amenos
Peitos! Rolemos, Flor! à flor dos flóreos fenos...

Soam vesperais as Vêsperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...

Ah! não resistas mais a meus ais! Da quermesse
O atroador clangor, o rumor esmorece...
Rolemos, ó morena! em contatos amenos!
– Vibram três tiros à florida flor dos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crótalos,
Citolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...

Três da manhã. Desperto incerto... E essa quermesse?
E a Flor que sonho? E o sonho? Ah! Tudo isso esmorece!
No meu quarto uma luz com lumes amenos,
Chora o vento lá fora, à flor dos flóreos fenos...

)Eugênio de Castro(

12 de ago de 2012

Até o começo do ano passado eu tinha poucos ídolos vivos fora do país. Mas graças a Deus e aos espíritos roquenrous ganhei umas beldades... Esse tipo vaqueiro, cowboy, cara e voz de menino do mato... Alex agora é homem. Aposto que gosta de uns programas de índio. rsrsrs



Sem palavras, por hora...

(Tela de Badida Campos em exposição na Florense)
Ai, como é gostosa a minha rua deserta, o meu peito desabotoou o botão da minha blusa discreta. Como é gostosa a minha rua fria larga de terra e deserta.

2 de ago de 2012



"A cada um de nós Deus deu um silencioso templo interior, onde ninguém mais pode entrar. Ali, podemos estar com Deus. Não precisamos falar muito sobre isso. E isso não nos afasta dos nossos entes queridos, ao contrário: fortalece e torna mais afetuosos e permanentes todos os nossos relacionamentos.

Quando vamos diretamente para a Fonte de que se originam todos os amores - o amor dos pais pelo filho, do filho pelos pais, do marido pela mulher, da mulher pelo marido, do amigo pelo amigo - bebemos de um manancial que nos sacia além de toda a imaginação.

Comungue profundamente com esse Deus de amor infinito que sempre espera por você no templo da meditação”.

(Trecho do livro "No Silêncio do Coração", de Sri Daya Mata)

1 de ago de 2012

OffZenZun...

"Aproveitar o tempo! 
Mas o que é o tempo, que eu o aproveite? 
Aproveitar o tempo! 
Nenhum dia sem linha... 
O trabalho honesto e superior... 
O trabalho à Virgílio, à Mílton... 
Mas é tão difícil ser honesto ou superior!
É tão pouco provável ser Milton ou ser Virgílio!
Aproveitar o tempo!
Tirar da alma os bocados precisos - nem mais nem menos -
Para com eles juntar os cubos ajustados
Que fazem gravuras certas na história
(E estão certas também do lado de baixo que se não vê)...
Pôr as sensações em castelo de cartas, pobre China dos serões,
E os pensamentos em dominó, igual contra igual,
E a vontade em carambola difícil.
Imagens de jogos ou de paciências ou de passatempos -
Imagens da vida, imagens das vidas. Imagens da Vida.
Verbalismo...
Sim, verbalismo...
Aproveitar o tempo!
Não ter um minuto que o exame de consciência desconheça...
Não ter um acto indefinido nem factício...
Não ter um movimento desconforme com propósitos...
Boas maneiras da alma...
Elegância de persistir...
Aproveitar o tempo!
Meu coração está cansado como mendigo verdadeiro.
Meu cérebro está pronto como um fardo posto ao canto.
Meu canto (verbalismo!) está tal como está e é triste.
Aproveitar o tempo!
Desde que comecei a escrever passaram cinco minutos.
Aproveitei-os ou não?
Se não sei se os aproveitei, que saberei de outros minutos?!
(Passageira que viajas tantas vezes no mesmo compartimento comigo
No comboio suburbano,
Chegaste a interessar-te por mim?
Aproveitei o tempo olhando para ti?
Qual foi o ritmo do nosso sossego no comboio andante?
Qual foi o entendimento que não chegámos a ter?
Qual foi a vida que houve nisto?
Que foi isto a vida?)

Aproveitar o tempo!
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!...
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E estremece, no mesmo movimento que o da terra,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino".

Álvaro de Campos